Eucaristia

O autor James F.White quando fala sobre a eucaristia em seu livro com o título “Introdução ao Culto Cristão” descreve que o culto sinagogal familiar e simples se transformou em um culto imperial.
A ceia pascal era um momento alegre, momento para celebrar e relembrar a libertação do povo de Israel e mais adiante se torna no momento de relembrar, dramatizar nossa remissão em Jesus Cristo.
Durante a história percebemos as mudanças e alterações na eucaristia ou ceia.
A Didaquê nos informa que somente os iniciados (batizados) poderiam comungar.
Na páscoa judaica se utiliza elementos de gastronomia para dramatizar essa libertação na celebração do Seder.
A Didaquê no final do 1º século nos mostra uma visão escatológica da eucaristia.
Inácio fala da eucaristia como “o remédio da imortalidade”, insistindo contra os docetistas que “ a eucaristia é a carne do nosso Salvador” .
Irineu declara a presença de Cristo no cálice que “é seu próprio sangue” e no pão que “ é seu próprio corpo”. Cipriano fala da comunhão em termos poéticos, como Cristo sendo o corpo e nós elementos desse corpo.
A obra do Espírito Santo é expressa por Hipólito, que na oração eucarística invoca o Pai para que envie o Espírito Santo sobre a oferenda da Santa Igreja e que preencha as pessoas reunidas de modo a fortalecer sua fé na verdade.
O termo transubstanciação chegou tarde, muito depois de a ideia estar buscando expressão. Ele só foi usado definitivamente em 1215, quando o IV Concílio de Latrão falou da “transubstanciação do pão em corpo e do vinho em sangue”.
A doutrina da concomitância deixou claro que o Cristo inteiro está presente em cada gota e migalha dos elementos consagrados, de modo que não mais se considerava necessário que os leigos recebessem o cálice com todos os riscos de derramamento do sangue de Cristo que isso acarretava.
A igreja baseou-se no conceito judaico da unidade daqueles que comem em conjunto. Em seu compartilhar a comunidade recebe Cristo, e o único pão se torna um sinal da unidade dos comungantes 1Co 10:16-17.
Geralmente há concordância de que a maioria dos desdobramentos medievais foram distorções, embora possamos estar propensos a romantizar a igreja antiga assim como os vitorianos faziam com a medieval.
Não podemos deixar de mencionar o ágape ou festa de amor que era aparentemente uma refeição completa, mas de certa forma distinta da eucaristia.

Hipólito faz questão de distingui-la da Ceia do Senhor, não se sabe quando a Ceia do Senhor deixou de ser refeição completa; aparentemente ainda era possível ser glutão e beberrão quando Paulo escreveu.
Para Hipólito, o ágape era uma ceia ocasional da igreja organizada por benfeitores particulares com a participação de clérigos, as sobras eram mandadas para os pobres.
O ágape degenerou facilmente, transformando-se em abuso, sendo proscrito por concílios no século IV, costume nos banquetes pagãos essa separação.
Definição:
Diversos grupos usam uma variedade de nomes para designar a combinação das duas metades: eucaristia ( isto é ação de graças, ou ceia do Senhor 11 :20), partir o pão (At 2:46, 20:7), liturgia divina, missa, santa comunhão, memórias do Senhor.
O termo eucaristia tem sido usado desde o final do I século, qualquer que seja o nome, o conteúdo é o mesmo em toda a cristandade: uma refeição sagrada baseados nos atos de Jesus na última Ceia.
Alguns acabaram entendendo a reflexão a respeito da eucaristia, tendo uma concepção de que a eucaristia se transformou num meio de garantir o favor de Deus, em vez de ser uma proclamação desse favor já realizado para toda a eternidade.
A Reforma trouxe algo que havia se perdido a comunhão no tocante a eucaristia, o reconhecimento da obra do Espírito Santo foi recuperado por alguns, e a percepção escatológica o foi apenas raramente, exceto em grupos que sofriam perseguição.
Lutero rejeitou a transubstanciação, mas insistiu que o pão e vinho se tornavam a substância do corpo e sangue de Cristo, embora ainda mantendo as substâncias naturais do pão e do vinho, Zuínglio não acreditava que o físico pudesse transmitir o espiritual, repudiou a doutrina de Lutero sobre a presença, com a concepção de que Cristo só está presente espiritualmente por sua natureza divina, para Zuínglio essa reunião de pessoas unidas na mesma fé era uma transubstanciação de pessoas em vez de elementos.
Para Calvino nós nos nutrimos de Cristo na eucaristia, mais isso é possibilitado apenas pela operação do Espírito Santo que eleva nossas almas ao céu. A maneira de se nutrir de Cristo é um mistério ao qual nem pode estar em condições de pensa-lo claramente o intelecto, nem de explica-lo a língua.
No século VI, o papa Gregório, considerava a Sagrada Eucaristia, o milagre supremo, a chave de todas as expressões do poder divino. De acordo com Gregório, a eucaristia é a comunhão com Cristo, cujo sangue e corpo estão realmente presentes no pão e no vinho. Alimentando-se deles, alimentamos e fortalecemos nossa vida espiritual.O maravilhoso poder da eucaristia, contudo, reside no seu caráter sacrificial. É oferecida pelos padres para os pecados dos homens, e não como morte de Cristo na cruz, para os pecados de todos os homens, mas apenas para os pecados dos participantes ou daqueles para cujo benefício pode ser especialmente oferecida. Para todos os efeitos, tem o mesmo significado da penitência, tomando o lugar de uma certa quantidade de sofrimento que, de qualquer forma, teria de ser suportada por causa dos pecados. Pode beneficiar os mortos como também os vivos, os mortos no purgatório e não no inferno. Se for oferecida para alguém no purgatório, apressará o tempo de sua libertação.
Calvino também enfatiza que a Ceia do Senhor implica amor recíproco ou comunhão.
O Vaticano II deu uma notável contribuição ao representar toda a questão da presença, declarando que Cristo está presente na missa não de uma, mas de várias maneiras: na pessoa do ministério, no pão e vinho, na ação sacramental, na palavra e na comunidade.
Teólogos católicos trilharam ainda outro caminho ao desenvolver o conceito de transignificação, em que a ênfase está no significado ou finalidade dos sinais sacramentais da eucaristia.
Os textos que qunram mencionavam refeições familiares
A ceia que deveria ser a pratica de união, acaba sendo um elemento de divisão.

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